A beleza como instrumento da educação e gestão

Rubem Alves é um tipo daquelas pessoas utópicas que habitam nas cidades dos sonhos.
Crítico do modelo atual da educação e do pensamento religioso do sofrimento, este escritor, professor, teólogo, psicanalista e poeta é um revolucionário do prazer da vida. Esteve ontem no programa Provocações de Antônio Abujamra na TV Cultura.

Como ele diz, o comunismo ignora o prazer da vida e acha que revolução está apenas na causa da partilha por igual. Oras, o homem é movido pelo prazer e “paixões”.

De fato, nosso modelo educacional e isso eu estendo a formação profissional também é de grande deficiência por doutrinar o pensamento do homem ao invés de libertá-lo.

Não somos provocados e instigados a ponto de ascender uma chama de curiosidade dentro de nós capaz de nos fazer produzir alguma beleza ou inovação.
A Santa Inquisição condenava não por uma atitude grave, mas sim por pensar diferente!
A ostra para produzir uma pérola precisa ser machucada por um grão de areia. Só pela dor ela é estimulada a criar esta beleza.

Lembro-me uma vez em uma discussão sobre o nordeste em uma determinada multinacional que trabalhei onde comentei que podíamos entender melhor o mercado lendo Vidas Secas de Graciliano Ramos e as poesias de Patativa do Assaré.
Este conteúdo artístico cultural poderia desvendar muitas eloquências não apontadas em estatísticas e nos permitir avançar em estratégias e comunicações empreendedoras.

Fui taxado como louco! Ainda existem muitos inquisidores nas corporações condenando almas.
Às vezes uma poesia fala mais que mil palavras…

A sanidade e normalidade como estado de espírito de conforto e certeza tem deixado as pessoas alienadas a ponto de se tornarem a maioria ou medíocres.
O pensamento a curto prazo e a busca do resultado imediato também tem contribuído para um estilo de gestão impeditiva de inovações.

Existem dezenas de programas corporativos como open space, bate papo no café e etc… Por que não utilizar da Filosofia e Arte para treinar as pessoas nestes momentos?
Quebra de paradigmas!

A educação criativa só terá chances quando se deixar de “depositar” nas cabeças das pessoas o conteúdo e substituir pela “aprendizagem descobridora” a apartir do meio em que vivem. Isso é Paulo Freire.
É por isso que não nascemos seres humanos, nos tornamos por que nos ensinam a ser. Nesta mutação mora o erro da doutrinação.

“As criancinhas são tão inteligentes e os adultos são tão estúpidos” Antônio Abujamra

Maurílio Santos Jr

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