CiCi 2011 – Cidades Inovadoras Parte I (17.05)

Hoje começou aqui em Curitiba na FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná a II Conferência Internacional das Cidades Inovadoras.
Na abertura o Presidente da FIEP Rodrigo Loures destacou que contatou o Prefeito de Atlanta nos (EUA) onde a cidade é referência em conectividade e o mesmo ajudará a entidade a transformar junto com a prefeitura da capital Curitiba em uma cidade também modelo na expertise.
Além disso, salientou que hoje o SESI possui um programa com jovens voluntários que identificam projetos nas comunidades carentes, dialogam e os formam como agentes locais de transformação.

Um panorama inovador e sustentável para cidades brasileiras
Jaime Lerner – Ex-Governador de Curitiba

“A primeira pergunta quando eu me deparo com algum prefeito do mundo é, qual o problema da sua cidade?
Em segundo, qual o teu sonho? Cidade sem sonho não pode ser inovadora.

O sonho da cidade de Perv (Rússia) é que os jovens da cidade não queiram morar em Moscou. A ação para isso foi a tornar em um Centro Cultural.

Curitiba foi sonhada como sustentável e ecológica. A cidade para acontecer a inovação precisa aceitar a sua biodiversidade cultural.
Mesclar as pessoas num encontro e não a separá-las por guetos e tipos.
Outro ponto, pensar e comunicar bem simplificado a mensagem de modo a atingir a todos, por exemplo as crianças.

75% de CO2 se origina nas cidades. A concepção do carbono vem daí. Uma das soluções é “Viva mais perto do trabalho ou leve o trabalho para mais perto de você”. Isso é pensar na cidade.
“Gosto de trabalhar com pessoas que condensem pensamentos como os filósofos e poetas”. Também gosto dos jornalistas e artistas pois, eles sentem a sociedade antes e não depois”.
Para tornar uma cidade inovadora precisa:
1. Vontade Política
2. Responsabilidade Social
3. Estratégia

As cidades hoje estão como casco de tartaruga, separadas por religiões e classes. Modo errado de se fazer, precisa mesclar para inovar.
Toda vez que a sociedade separou a economia de gente não deu certo.

Temos que aprender que gostamos mais da cidade quando entendemos e nos identificamos com ela.

Case Curitiba. Mobilidade Urbana. Corredores de Ônibus.
O tubo das paradas de ônibus representa a idéia do metro-ônibus. Se o tubo está cheio significa que o sistema não está bom. Em Curitiba o ônibus demora 1 minuto e meio = metro, ou seja, significa investimento menor. “Acredito que o futuro está na superfície”.
O segredo da mobilidade é usar tudo e não competir entre ambos (ônibus-metro-trem-carro). 83 cidades do mundo utilizam o modelo de mobilidade de Curitiba, exemplo Seul – Koréia.
O transporte de rotina precisa ser público. Bicicleta na China por exemplo.
Curitiba está desenvolvendo o SMART DOCK DOCK. Carro de 1 pessoa que com 6 equivale na rua 1 carro convencional.
Quando a cidade sabe aonde vai a iniciativa privada vai atrás.

Cidade sustentável tem que alavancar parques. Parque a gente começa e nunca termina. Exemplo a ópera de arame. Começou com a idéia do lixo.
A conscientização começou com as crianças e depois com os pais.

A cidade é como o nosso retrato de família. São nossas referências e temos que assumir a diversidade da nossa família. Em Curitiba cada parque homenageia um imigrante da sua formação.
Jaime desenvolveu a acupuntura urbana. Agulhadas de projetos como no Rio de Janeiro (Museu da bossa nova feito em teclas). Sustentabilidade é não desperdiçar.

Inovar é começar uma trajetória.

O reflorescimento das cidades
Parag Khanna
Augusto de Franco
Mediador: Ricardo Boechat

Augusto de Franco
As pessoas não têm noção do que significa cidades.
Eventos que confundem:
• Cidades com prefeituras
• Esfera pública com governo
• Cidade com departamento sub racional
• Auto organização com planejamento
• Redes com hierarquia
• Social com populacional

As cidades demonstram a organização de poder. Novos tipos de cidades estão surgindo – redes de comunidades glocais.
Nossas instituições não foram feitas para redes sociais, mas sim, desenhados para o auto controle.

Parag Khanna
A revolução industrial deu o poder as cidades pelo comércio. A cidade 4.0 é do século XX.
A cidade 5.0 é a globalização total. Estamos todos conectados. Não passa mais por países intermediários ou não existe mais individualismo.
O mundo não está mais dividido por países mas por conexões de cidades. Estamos construindo novas cidades para capitalizar novas tecnologias. São fatores geopolíticos.

Geralmente prefeitos pela experiência da cidade deseja concorrer a presidência mas os presidente atuais não deixam acontecer indicando seus sucessores. Medo.
Para formar um governo colaborativo, precisa-se de uma forma de inclusão participativa e parcerias entre:
• .org
• .com
• .gov
• .edu

Curitiba provou que não só dinheiro define o avanço e mudança, mas a cultura, projeto e liderança. Resultado das convivências multivariadas.

Só as cidades podem atrair o cidadão para o civismo, senso de pertencer aquele lugar. O aparelhamento partidário/hierarquia oprime o papel do gestor público onde a discussão não gera em torno da cidade mas na manutenção do poder. Estamos em um estágio importante para transladar isso. O reflorescimento das cidades vem acontecendo principalmente em cidades que não possuem democracia (China, Arábia, Koréia).


A reinvenção do governo a partir das cidades

Juan Nieto Escalante
Amal Medani
Penny Hulse
Mediadora: Joice Hasselman

A educação é a única forma de reinventar o governo e as cidades.
Precisa encontrar uma maneira inteligente de distribuir o dinheiro. Educação.
A educação e a inovação acontecem com a liderança.
Toda criança deveria ter pelo menos 2 anos de educação de qualidade.

Na Holanda foi instituído o modelo de consulta popular. O princípio foi que a população não queria mais pagar impostos sem viver o retorno. Foi sugerido criar uma ferramenta de internet para a gestão e transparência e a população aprovou a taxação para este fim.
Para manter e ter uma cidade inovadora o conhecimento não pode ficar apenas na universidade mas somar com um encontro da diversidade do povo.

O ganho mútuo surge com o encontro das redes sociais. Os governos deveriam pensar em como deixar o cidadão em primeiro lugar. Daí surge a estratégia.
O grande canal entre o cidadão e o político pode ser as mídias sociais. Cidadão Ativo.

Na Holanda foi criado um sistema de atendimento ao cliente (civil). Melhorar o diálogo e serviço.
Deve existir uma parceria entre o governo e o civil e não ações separadas.
O empreendedorismo é necessário na indústria e governo. O governo precisa assumir riscos.

A reinvenção parte do governo e cidadãos.

A governança do desenvolvimento das cidades
Klaus Frey
Josep Roig
Kathy deVault
Mediador – José Wille

O importante é o eleito (candidato) criar planos de ação para saber aonde estão indo.
Em Orlando (EUA) a parceria entre o público e o privado tem ajudado e dado certo para o desenvolvimento da cidade.
Criou-se uma campanha para divulgação das mídias sociais. Houve resistência pelo fato do conteúdo ser positivo ou negativo da cidade, mas independente tem que ser feito.

Importante o engajamento do cidadão. Fazer valer a voz do povo. No Brasil as redes sociais são pouco utilizadas. África tem utilizado o facebook.

Katy – Como divulgam a cidade?

A Disney e o turismo não são apenas o motor. O setor de medicina e mídia eletrônica são vocações impulsionadoras que estão sendo trabalhadas.

O city marketing deve ser tanto pra fora como pra dentro. Papel importante da cidade.

Como fazer o governante não parar a execução de um planejamento de projeto?
O envolvimento do cidadão pode impedir isso. Engajamento.
Em Orlando as mídias sociais a entender os bairros e redes.
Temos dificuldades de introduzir a solidariedade no processo pensando nas próximas gerações. O papel da tecnologia na governança política é muito importante. Traz a transparência , melhoria na gestão e as redes sociais aproximam cidadãos x governo. Combinar a tecnologia para a participação da população. Em Orlando o website , twitter, facebook são ferramentas de aproximação.
A falta de confiança na implementação e uso levou 18 meses para as pessoas interagirem na rede.
As ferramentas deixam o cidadão embaixador da cidade.

Como engajar o funcionário servidor público “vitalício”?
Quem deveria trabalhar no governo deveria ser as pessoas apaixonadas em servir.
Os cargos de confiança (clientelismo, nepotismo) atrapalham a administração pública brasileira. Isso impede do funcionalismo público avançar. Talvez o sucesso de Orlando possa ser de não ter trocado os cargos em curto prazo. Katy atua desde 2003 na prefeitura. A maneira da governança de reinventar as práticas são os desafios.

Cidades Rede e Redes Cidades
Steven Graham
Daniel Cardoso
Mediador: José Wille

Quando as cidades funcionam estão sujeitas à uma ruptura. Ex. Japão com o Tsunami afetou a logística. Quanto mais temos redes menos dependemos delas, assim são com os governos.
Há uma geografia de exclusão no mapa das pessoas.

A infraestrutura tem importância social e política . Ela ajuda a promover a justiça social. Precisamos olhar para o sistema múltiplo. A internet é inútil sem o sistema de energia.
Há uma tendência atual das cidades de regionalizarem e as pequenas cidades juntarem-se a elas.
O software é político e não técnico. A cidade digital obriga um novo planejamento político e urbano.
A tecnologia hoje está muito individualista e com pouca função pública até para o aumento da importância dela. Como o tel 3G.

O desafio dos movimentos sociais é manterem-se atualizado com as novas tecnologias presentes e futuras gerações. Para muitos países o primeiro estágio para adentrar as novas tecnologias deve ser difícil como na agricultura.
Empreendedores tem levado as lan houses as comunidades carentes para possibilitar a inclusão digital.

Compartilhe