O mendigo de gravata

Certo dia em uma reunião de incubadora solidária, na qual, eu era um dos consultores de marketing como voluntário na universidade, perguntei ao Professor Coordenador Granizzo, um senhor de origem espanhola, muito querido e formado em filosofia e economia.

- Professor me defina o papel do gestor dentro da empresa?

Ele respondeu: – Se eu te responder segundo os livros, a resposta é o indivíduo capaz de liderar uma equipe, projetos e executar o planejamento da empresa ou divisão. Agora se eu te responder olhando a prática e a sinceridade sem devaneios, te digo que a pobre teoria tem sido substituída pelo indivíduo que adora reunião e senta com seus pares para negociarem a sobrevivência de ambos antes do superior chegar, e desse modo, não existe cagada, incapacidade, falta de autonomia e equipe infeliz. A falta de culhão tem asfixiado projetos, ideias, iniciativas, pessoas e sonhos, a ponto de se tornarem mendigos de gravata!

Aquilo caiu como uma bomba aos meus ouvidos.
Logo fui para casa e horas depois trocando de canal decido assistir um filme na TV a cabo chamado “Coração Valente”. Um romance que aborda a independência da Escócia.

Em uma determinada ocasião William Wallace (Herói) preparando-se para ir para guerra e lutar contra a coroa inglesa é surpreendido pelos nobres da Escócia que se reuniram em conselho com a Inglaterra para acordarem que ao invés de guerrearem, aceitassem alguns dotes de terras do Rei da Inglaterra pagando impostos mais baratos.

William Wallace então faz seu discurso épico:
- EU SOU William Wallace! E eu vejo um exército inteiro de homens do meu País, aqui, para derrotar a tirania. Vocês vieram lutar como homens livres, e homens livres que vocês são.
Que vocês farão com essa liberdade? Vocês lutarão?

Sim, lutem e vocês poderão morrer, fujam, e vocês viverão… pelo menos por enquanto. E quando estiverem morrendo em suas camas, muitos anos depois, vocês almejarão negociar todos os dias, de hoje até aquele dia, pela chance, apenas uma chance, de voltar aqui e dizer a nossos inimigos que podem tirar nossas vidas, mas jamais tirarão… Nossa liberdade!

Esse discurso é arrepiante.
Tão logo linkei com o discurso do professor. Um líder (Wallace) propondo a mudança e um projeto de vida enfrentando o opressor (Inglaterra) em desvantagem mas com muita coragem e não se importando pela vida, mas importando-se pelo objetivo, a liberdade. Do outro lado do seu mesmo time os nobres escoceses, contentando-se em comerem das migalhas da mesa do rei, curvando-se para apenas sobreviverem com o “título de nobres” e uma falsa fonte de renda.

Infelizmente é uma situação real na maioria dos casos. Existência de lideranças “políticas” e nada eficazes, indispostas, medrosas, nada inovadora e inspirador e pouco arrojadas que oprimem toda uma equipe com múltiplos talentos.

Vemos vários projetos fracassarem antes de iniciarem por causa da figura do mendigo de gravata.
E o que fazer para tirar das ruas estes mendigos? Por fogo, colocar no abrigo ou ressocializá-los?

Minha receita são dois remédios:
1. Empresas quebrem os muros da hierarquia e o Alto Escalão se engaje com o operacional empoderando os indivíduos. Pedagogia da Autonomia.
2. Subordinados de mendigos de gravata se empoderem, assumam os riscos e se conectem com o alto escalão e provem por A+B o valor do projeto ou do talento individual de cada um.

A partir daqui a decisão é sua!

Maurílio Santos Jr

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