A missão e o show. Case UFC

Muitas empresas nascem com uma “missão e valores” muitas vezes com caráteres ideológicos pelo fundador e quando são vendidas, adquiridas ou incorporadas perdem seu fundamento tornando a empresa mais um enlatado de mercado.
Acontece com bandas que ao longo do tempo são forçadas pelos empresários para se tornarem comerciais, visando apenas o lucro.

Ilustrando o caso, vamos analisar no esporte o evento UFC. Criado e idealizado por (Rórion Gracie e Art Davie), a família graice tinha como missão provar que o jiu-jitsu era a melhor arte marcial de defesa pessoal no mundo.
Para isso criaram um octógono onde nenhum lutador pudesse fugir e apenas a desistência para finalizar.
O principal objetivo era educacional. Arte marcial pura vs arte marcial pura.
O primeiro campeão da primeira edição foi Royce Gracie.

O evento foi vendido por US$ 2 milhões para Dana White em 2001 e hoje está avaliado em torno de US$ 6 bilhões.
A diferença e a quebra da missão está no showbusiness.
Os novos proprietários tornaram o evento um entretenimento onde o foco não é mais provar a melhor arte marcial, mas sim, o melhor lutador que vença e faça o público delirar com altas performances. Nesse pensamento surgiram regras e tempo.

Em entrevista a UOL ESPORTES (05.07.2011) Rórion disse:
“Depois de cinco edições, resolvi sair do UFC. Começaram a haver mudanças e instituições de regras, e eu não concordava com elas. Ele tinha virado um show de entretenimento. E eu queria que fosse um evento com finalidade educacional. Quando vi que ele tinha se tornado algo puramente financeiro, resolvi sair. Estaria me prostituindo se continuasse nele. Dinheiro sempre foi consequência, nunca a razão do meu trabalho. Não assisto mais ao UFC desde então. Nem quando tem luta de um Gracie. E, por isso, não vou assistir ao UFC Rio”, confessou.

Esse é mais um exemplo dentre outros. O Marketing tendencioso tem o poder de acabar com certos valores para em teoria estar competitiva no mercado e tornar um produto de larga escala comercial.
Mas esta visão errada se dá pelo fato da falta de capacidade de perceber que se houver um igualamento a concorrência, a empresa se adentra no oceano vermelho de piranhas sangrentas e deixa de estar no oceano azul de novas oportunidades e caminhos.
O tempo pode demorar para amadurecer, mas o resultado final será maior.

Este pensamento pertence ao século XX. Hoje os negócios tem que se tornar sociais, com uma missão social.
Vide a VIVO. Estão pregando que não vendem tecnologia em telefonia, mas sim, tecnologia social. Móbile e Web permitem um universo de desenvolvimento como por exemplo, meio de comunicação para os ribeirinhas na amazônia com uma ambulancha!

Enfim, fui praticante de jiu-jitsu durante 5 anos e o que me motivou foi o vídeo “Gracie – A Família invencível”. Nesse vídeo a família desafiava outras artes e provavam a eficiência do jiu-jitsu.
Hoje o Mix Martial Arts acabou com essa essência na minha opinião.

Maurílio Santos Jr

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