A síndrome do “Justus” e a Pedagogia da Esperança

Há algum tempo venho estudando sobre educação e sobre pedagogias libertárias. Isso representa novas formas de aprendizagens fora do modelo rígido valorizando e respeitando a cultura e empirismo individual de cada um para um pensamento crítico conscientizador.
Segundo Frei Betto, a pedagogia da autonomia de Paulo Freire possibilitou um operário tornar-se Presidente do Brasil.
Tratando-se de uma escola:
* Por que uma aula na escola tem 50 minutos ? É lei do MEC? Não, mas por que tem que ser assim?
* Por que na escola o professor não devolve as perguntas para os alunos? Tipo: – Professor é verdade que as folhas das árvores respiram? Sim, isso ocorre porque…. Por que não aprender com o aluno? Da onde você tirou isso e porque acha?
* Por que o aluno deve ter medo do professor e diretora?
* Uma prova de respostas copiadas de livros (A, B, C ou D) avalia mesmo se o aluno sabe?

A diferença: professor ensina e educador aprende com o aluno. Educação é uma troca de experiências dentro da realidade individual de cada um. A TROCA gera conhecimento ou novos.

Aplicando o conceito nas empresas, qual a diferença do gestor “cartilhado” para o “gestor educador”?

A síndrome do Roberto Justus “O Aprendiz” é a cartilha do gestor cartilhado. Pior que a maioria acha eficiente e eficaz essa metodologia. A tocação de terror chamam de gestão de pressão e a imposição da arrogância e medo chamam de respeito a patente hierárquica e ao conhecimento.
Quem nunca passou por uma entrevista ou dinâmica de grupo ou mesmo no próprio trabalho e se deparou com os “Justus”.
- Venda minha empresa agora para o cliente x em 1 minuto?
- Você é capaz de fazer x, y e z + isso e aguentar pressão? Não foi isso que eu perguntei!
- Por que eu deva te dar um emprego? Quem é você para estar no meu grupo?
- Você é um produto, Se venda!
- Qual a diferença de x e y? Você está errado! Aqui na empresa é assim!
- Está demitido!
É o TEATRO dos VAMPIROS.
Observe que, grande parte que recebe e se reporta a este estilo de gestão é o operacional. Pedagogia do Oprimido. Consegue cruzar com Frei Betto agora?

Fico me perguntando se é necessário essa pedagogia do opressor para trazer pessoas boas para o grupo?
Ou melhor, é assim mesmo que recruta talentos ou potenciais e as mantém na empresa?

O gestor educador é aquele que escuta, conta sua experiência dentro da sua REALIDADE, cultura e empirismo e troca e aprende com o outro dentro da sua experiência, cultura e REALIDADE respeitando a individualidade. Esta troca é valiosa e entra o COACH. Nela mora o índice de potencial humano.
Por que não dar um abraço no candidato ou colega, um sorriso e escutar um pouco o outro todo dia? Tião Rocha criou a pedagogia do abraço. As crianças devem gostar de estar na escola e dos amigos e frequentar não por obrigação. Isso é amor. O abraço une, quebra o gelo, faz um afeto e aproxima as pessoas. Então todo dia ao chegar na escola todos devem se ABRAÇAR e dar um BOM DIA!
Se a empresa quer unir e ter trabalho em equipe por que não utilizar esta pedagogia? Passamos 70% das nossas vidas na empresa. Convivemos mais com os colegas da empresa do que com a família e filhos. Por que não pode haver amor?

Desde pequeno não somos estimulados ao trabalho em equipe mas nas conquistas individuais. A faculdade reafirma isso pela competitividade.
É um fato que o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva, através, principalmente, dos veículos de comunicação de massa.

Enfim, por isso a “geração y” valoriza sua qualidade de vida, autonomia e preocupações com o meio ambiente e social pois, este modelo sempre foi fracassado e opressor, mas infelizmente ainda se tem muitos no mercado.

Maurílio Santos Jr

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