Sem indignação não há esperança

O título do artigo é uma frase de Ozires Silva.
Já parou para pensar que a maioria das palavras que terminam com AÇÃO é uma derivação para o bem?

IndignAÇÃO, InovAÇÃO, TransformAÇÃO, ProvocAÇÃO, InspiraAÇÃO, OcupAÇÃO e assim vai…

Palavras que terminam com IDA tende a derivar para o negativo:
HomicIDA, SuicIDA, PesticIDA, BebIDA, DivIDA e assim vai…

Sem indignação Henry Nestlé não teria criado a Farinha Láctea, sem indignação João Bottene não teria criado o combustível etanol, sem indignação Santos Dumont não teria criado o avião, assim como Thomas Édison a Lâmpada e assim por diante..

A indignação produz uma reação que torna-se uma ação e pode produzir uma inovação. NASCE A MUDANÇA.
É um exercício para qualquer profissional, assim como, para o cidadão.
Esse é o combustível da esperança, porque quando manifestamos este estado de espírito coisas boas e mudanças virão.

Sábado passado estive visitando uma família moradora de uma periferia no Capão Redondo, Cidade de São Paulo com os Educadores do Rukha, ONG dirigida pelo idealizador e empresário Marcos Moraes.
Senti uma indignação inversa ao presenciar uma cena. Não pela pobreza ali presente mas pela comparação aos egoístas do mundo.

Esta família são ex-pedintes de farol e possuidores de um histórico de violência física hereditária que estão sendo educados pelo Rukha no sentido da família, ser humano e oportunidades através do seu próprio desenvolvimento. Nada assistencialista.
Cristiane nos conta que nunca havia comprado ovos de páscoa para os seus filhos. Ao contrário, os filhos ganhavam no farol e levavam para eles.
Este ano sensibilizados compraram aos filhos. Os 5 filhos pediram os ovos mais caros porém a enteada desejou apenas uma caixa de bombom.
Sem perceber a Atitude Nobre e rara, Cristiane denuncia: – Mas eu sei porque ela quis a caixa! Por que a caixa vem bombons soltos e ela pode distribuir para os amigos.

Chorei com essa fala! Que nobreza, que bonito e que RARO. Em meio a tanta pobreza, falta e luta, a menina queria ainda DIVIDIR com os amigos.
Fora este fato, observei quanta inteligência havia ali, força de vontade, conhecimento, visão de negócios e amor.

Fiquei indignado com os egoístas que criaram barreiras e muros na vida e uma regra torpe, medíocre, imbecil como por exemplo determinadas exigências graduais no mercado de trabalho que impedem estes BONS de entrarem por não terem tido a mesma oportunidade que os demais.
EU TENHO certeza que tem muita gente inteligente e melhor nas favelas do que nos bancos de muitas empresas com MBA e Pós.

O profissional considerado ter um Currículo TOP ou da Universidade TOP trabalha pelo salário. Ele é um número. Estes excluídos trabalham por amor e necessidade.
Sonham mais, dedicam-se mais e inovam mais pela falta.
Se os empresários alimentarem estes indignados com apoio e oportunidade o mundo se inverte e acabamos com muitas deficiências pela produção em escala de inovações.
A formação da vida é mais poderosa que a acadêmica, pode ter certeza disso.

No artigo anterior eu decantei este pensamento.
Enfim a empresa quer criar novos produtos, reinventar, atender as necessidades dos consumidores, façam os marketeiros saírem do escritório e irem para junto do povo. Mas tem que eliminar da cabeça o coitadismo ou o bestialismo. É DE HUMANO PRA HUMANO. IGUAL PRA IGUAL. Só assim você consegue enxergar o potencial. Conviva e traga os excluídos para o time. Isso não se chama caridade, se chama gestão da inovação.

“É muito fácil mandar matar, mas é muito difícil dar uma chance a vida” MV BILL

Maurílio Santos Jr

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