Criando chocadeiros de ideias e inovações

O atual campo social está ficando cada vez mais distribuído, conectado e não centralizado ou descentralizado = muitos centros sob um comando central.

Você se lembra da luta dos brasileiros contra a Ditadura Militar ?
Ditadura = O líder decide o seu caminho, sonhos e dos outros. Você é um obedecedor. Ordena sua vida. É Fiscalizado.

Caetano Veloso disse em sua canção: É proibido proibir.

Esse novo desenho social (Redes Sociais) não passa de uma onda natural que já vinha se formando lá trás a medida que os seres humanos vêm se evoluindo, percebendo, absorvendo e com isso as tecnologias.
A internet é a prova do desejo das pessoas de se conectarem e produzirem sem barreiras. Uma onda natural!
Rebeldia? Falta de educação e compreensão à submissão? Descumpridor de regras e leis?
Alguns culpam a geração (y), (z), internet etc… outros caem em si que de fato os humanos são uma rede social e estes fazem parte da teia da vida.

Qual a diferença da velha economia (centralizada) vs nova economia (redes distribuídas/sociais) ?
Chocadeiros de ideias e inovações são modelos onde as pessoas não participam (Participar = Colaborar em um modelo já definido por regras e comandado por líderes)
mas sim Interagem (Agir em conjunto. Envolvimento entre as pessoas. Integração Social)
onde são o centro do negócio e livres e conectadas são capazes de realizar co-criações de ideias, novas aprendizagens, novas soluções, inovações …

Definição de Augusto de Franco sobre como criar uma bomba criativa:

Não há caminho
Se você traçar um caminho para que as pessoas sigam por ele a bolha murchará.
Caminho é um sulco para fazer escorrer por ele as coisas que ainda virão. Isso só faz sentido em um mundo fracamente conectado. Nos Highly Connected Worlds existem múltiplos caminhos. No limite, tudo é caminho. Logo, não há caminho.

Não há mestre
Se você seguir um mestre e se submeter aos seus ensinamentos ou se quiser se converter num mestre para ensinar os outros, a bolha desaparecerá.
Toda região do campo social deformado pela hierarquia configura um campo de ensino-reprodução, seja uma escola propriamente dita, seja uma igreja, uma corporação ou partido, um órgão estatal, uma empresa tradicional ou uma organização civil da nova burocracia associacionista das ONGs. As bolhas são campos de aprendizagem-criação, espécies de refúgios dos campos de reprodução da Matrix ou abrigos temporariamente livres da sua influência. Nelas todos são mestres uns dos outros enquanto se polinizam mutuamente. Logo, não há mestre.

Não há obediência
Se você obedecer a alguém ou exigir obediência de alguém, a bolha se extinguirá.
Quando você resiste ao poder vertical, você estabelece uma sintonia com as grandes correntes de humanização do mundo. Quando você cede, sujeitando-se a alguém ou sujeitando outras pessoas a você (no fundo, dá no mesmo), contribui para desumanizar o mundo e a você mesmo. Portanto: desobedeça. Mas a quem você deve desobedecer? A todos que querem obrigá-lo a obedecer, em especial aos agentes mantenedores do velho mundo: os ensinadores, os mestres e gurus, os codificadores de doutrinas, os aprisionadores de corpos, os construtores de pirâmides, os fabricantes de guerras e os condutores de rebanhos. Se você desobedece, não há obediência.

Não há luta
Se você lutar contra alguém elegendo-o como inimigo, a bolha se autodestruirá.
Inimigos são criados pela luta contra alguém. Mas não há uma boa luta, não há um bom combate, não há uma guerra justa do bem contra o mal. A guerra (ou a política praticada como arte da guerra) é, em si, o mal. Assim como o justo monarca legitima as autocracias, o suposto “guerreiro da luz” envolvido num combate contra um suposto “guerreiro das trevas” legitima a existência da guerra e, consequentemente, o emprego e a fabricação da arma. O único inimigo que existe é o criador de inimigos. Se você lutar, você será o inimigo. Portanto, não lute. Se você não lutar, não há luta.

Não há sucesso
Se você direcionar esforços para obter sucesso, a bolha implodirá.
Se você busca o sucesso é sinal de que deseja ser uma pessoa incomum. Neste caso terá mesmo muita dificuldade de ser uma pessoa comum (quer dizer, com as mesmas condições de compartilhamento do que as outras pessoas). Sendo uma pessoa não-comum – famoso, rico, poderoso, possuidor de muitos títulos de reconhecimento do conhecimento ensinado, herói ou santo – terá mais dificuldade permanecer aberto à interação com o outro-imprevisível. Resultado: comportando-se como se fosse diferente dos outros, não conseguirá viver plenamente a nova convivência que ocorre na bolha. Porque na bolha você não tem que se destacar dos semelhantes e sim, pelo contrário, se aproximar deles. Na bolha não há pessoa mais importante do que outra. Todas são igualmente importantes, todas tiveram sucesso ao atingir o supremo objetivo de ser pessoas comuns. Logo, não há sucesso.

Não há transformação
Se você tentar se transformar no que você não é ou quiser transformar outras pessoas no que elas não são, a bolha se desintegrará.
Não é uma tribo especial que pode fazer netweaving, não é um cluster de gênios, uma fraternidade de seres notáveis, dotados de faculdades e qualidades excepcionais, super-humanas. É você! Se você não fizer, nada se modificará em seu mundo (ou melhor, você não poderá sair do mundo que lhe impuseram e no qual você está aprisionado). Para tanto, você não precisa ser mais do que você é. Você só precisa ser o que você pode ser como revelação ou descoberta do que você é. Assim, você não tem que se transformar no que você não é. Não há nada errado com você. Você não veio com defeito de fábrica, que precise ser consertado por alguma instituição hierárquica. Você não precisa ser educado – quer dizer, ensinado, adestrado, domado – para aplacar uma suposta besta-fera que existe no seu interior. Não há nada no seu interior humano além da composição fractal de todos os outros humanos que fazem com que você seja uma pessoa: um humano, esse maravilhoso encontro fortuito do simbionte natural (em evolução) com o simbionte social (em prefiguração). No momento em que você aceitar-se como é e renunciar ao chamamento, aparentemente revolucionário, para transformar os outros no que eles não são, toda perversão transformacionista se desfaz. Logo, não há transformação.

Não há organização
Se você organizar as pessoas, a bolha se cristalizará e quebrará.
Não organize, deixe rolar. Resista à tentação de liderar. Resista à tentação de fazer um grupo ou de pertencer a um grupo. Deixe as pessoas se aglomerarem por si mesmas, deixe o enxameamento acontecer, deixe a imitação exercer o seu papel, deixe os mundos se contrairem. Em vez de tentar organizar a auto-organização, construa interfaces para conversar com a rede-mãe, aquela que existe independentemente de nossos esforços organizativos voluntários. É a rede-mãe que está se manifestando nas bolhas. Usando uma imagem do filme Avatar para fazer uma evocação (metafórica), as bolhas são como aquelas woodsprite (atokirina em Na’vi) da árvore das almas, ligadas à rede neural biobotânica de Pandora. Se as pessoas se auto-organizam, não há organização.

Não há propaganda
Se você fizer propaganda, a bolha inflará e se romperá.
Uma evangelização baseada nessas orientações não terá qualquer efeito. Ou terá um efeito contrário ao que você espera. Ideias não mudam comportamentos. Só comportamentos mudam comportamentos. Se você abrir mão de se comportar de uma nova maneira em troca da ilusão de que fazer propaganda do que está lendo aqui pode substituir sua ação concreta, nada acontecerá. O proselitismo broadcasting (que tem o mesmo sentido de propaganda) de uma nova ética (ainda que seja a chamada “ética hacker”) é regressivo e prejudicial. Se você quiser se dedicar ao netweaving, comece esquecendo toda essa bullshit sobre ética como conjunto de normas sobre o que fazer ou não-fazer válidas para qualquer interação e estabelecidas antes da interação. O que caracteriza o netweaver é o que ele faz e não um conjunto de crenças ou valores, por mais excelsos, solidários ou do-bem que possam ser estimados. Se em vez de mostrar como deve ser feito, você fizer, não há propaganda.

Resumindo, acima estão os pontos que não permitem criar um chocadeiro de ideias e inovações e os por quês !

Se deseja que sua organização seja uma rede social de pessoas e como em um ninho choque ideias e inovações não tenha medo de errar, de ousar, ser ridículo ou simplesmente achar que perdeu o poder. O poder emana do povo.

A receita já foi dada!

CHOQUE!!!!!!!!!!!!!!!

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