De organizações EGOsistêmicas para ECOsistêmicas

Meu objetivo como empreendedor e agente futurista neste blog não é dar dicas superficiais de como empreender, tampouco discutir as “consequências” dos problemas organizacionais com a proposta de motivar profissionais com medicações de auto-ajuda ou histórias inspiradoras, mas a de identificar as “causas” dos problemas organizacionais, preparar as empresas para a transição do futuro (século XXI) e propor a reflexão propositiva e o diálogo como o meio para as soluções práticas inovadoras.

Vivemos hoje uma transição de modelo de poder e econômico motivado pelo novo Capitalismo Distribuído ou pela Terceira Revolução Industrial. A primeira e a segunda revolução foram baseadas em combustível fóssil e favoreciam estruturas centralizadas (top-down). A terceira revolução está organizada em (nodos), escala lateralmente e favorece as práticas de negócios em redes colaborativas. Neste processo, vai a falência a ideologia da política de direita e esquerda para a distribuída. A internet impulsionou esta transição, a de pensar e tomar decisões lateralmente. Assim saímos da Geopolítica para à política da Biosfera, ou seja, você sai do modelo da exploração do meio ambiente como objeto medindo a economia pelo (PIB) e vai para a natureza de relacionamentos sustentáveis, com pensamento holístico incluindo o bem-estar das pessoas na mensuração do crescimento econômico do país.

Mudanças? Sim, está ocorrendo e é inevitável a transição.
“A era industrial está desaparecendo – lentamente para alguns, rapidamente para outros. As escolas parecem obsoletas porque foram construídas para formar pessoas para reproduzir coisas e não para criar coisas. O horário de trabalho parece obsoleto porque foi construído para você trabalhar como uma máquina e não para pensar. A era industrial era sobre padronização para aumentar a produtividade, e não sobre criatividade para aumentar a diversidade. Por conta disso, quanto maior o número de sinais de padronização que uma pessoa tem (cargos, habilidades, boletins escolares etc), maiores eram as suas chances de ser bem-sucedida na era industrial. Para felicidade geral da nação, esse “esquema padrão” está mudando.” RICARDO JORDÃO MAGALHÃES – Fonte: Facebook

A aceleração para o modelo da sustentabilidade, acredito que vai ocorrer quando estivermos com o coração aberto e pensarmos com amor nas pessoas e no meio ambiente.
A ideia aqui é que você leitor, ao entender as causas elimine da sua conclusão a “pessoa” como a culpada, até porque não é, mas entenda que o grande problema está na estrutura das relações ou ambientes de convivência aonde mais abaixo irei me aprofundar.
Quando você ler a palavra organizações neste blog, ela não está limitada apenas as empresas privadas, mas pode-se entender também qualquer entidade organizada de pessoas e também com fins de produção (igrejas, governos, ONGs, sindicatos, escolas etc…)

Buscar identificar os problemas organizacionais apenas com literaturas das escolas de administração e negócios seria e é muito míope e reducionista, mas aqui iremos aprofundar usando também visões da biologia cultural, sociologia, filosofia, mundo espiritual e as ciências.
Pois bem, onde estão as causas dos problemas organizacionais?
Pessoas (profissionais)? Finanças? Competitividade? Governo? Educação?
Não podemos descartar as indagações acima, mas elas são parte de um todo.

Neste artigo vou propor a reflexão sob o ponto de vista (Modelos de Gestão & Inovação). Como sair de organizações EGOsistêmicas para ECOsistêmicas.

ORGANIZAÇÕES EGOsistêmicas
Não podemos afirmar que o projeto chamado ser humano é algo acabado. Ainda estamos em construção de nós mesmos.
O século XX e a Era Industrial (1º e 2º) criaram uma estrutura vertical de relações (top-down), monopólios, consumismo exagerado, a exploração dos recursos naturais como objeto e uma política partidária ideológica (direita e esquerda). Essa cultura de relações sociais vertical e as emoções individuais favoreceram as ferramentas e elementos possíveis para o ser humano sair do ecossistema de sua origem biológica para criação de um egosistema.
Ego é algo individual e está dentro da mente e consciência de cada pessoa. As discussões sobre o Ego podem ser mais vistas nas religiões e filosofias.
A Kabbalah (Ciência Judaica da Vida) diz que o nosso inimigo íntimo e gerador de nossos sofrimentos é o ego. É através do ego que reagimos a qualquer tipo de ação do outro provocando um caos. Reagimos contra a ação do outro não porque o outro é uma pessoa “má ou ruim”, mas porque o nosso Ego foi incomodado por algum tipo de ciúmes, inveja, domínio, ganância, orgulho, ódio, ira, aversão…Todas estas aflições são agentes causadores de dor e sofrimento. Comportamos-nos assim porque ainda não recebemos a luz.. A vida é dividida em 99% (Plenitude) e 1% (Imediato). O ego nos limita ao 1% da vida. Felicidade é um desejo imediato ou pleno?

Mahatma Gandhi dizia “Odeie suas ações”. Ele queria dizer “Não reaja. A reação é o gerador do caos”. “Não reagir com violência acaba neutralizando a ação do agressor e leva ele a nos respeitar”.

O Budismo acredita na Lei do Karma “Ação” ou Lei de Causa e Efeito. O sofrimento é criado pela nossa mente (apego, ira e delusão). Primeiro agarramos a um senso do “eu”; a seguir agarram-se as coisas como “minhas”. Quanto mais intenso é nosso apego, com mais vigor ele gera emoções negativas e destrutivas. Enquanto permanecermos sob o domínio desta crença errônea da existência de um EU e MINHA, estaremos sob o domínio de uma existência condicionada e não teremos espaço para a felicidade e alegria duradoura. O coração da renúncia é uma jornada em busca da vitória sobre o inimigo interno, as aflições mentais. Renunciar o estado da mente. Ao renunciarmos este estado alcançaremos o Nirvana (O estado além dos pesares, ou seja, além das aflições). O “insight” acontece com a mente vazia e não com ela apegada ao material.
Já o Cristianismo segundo a bíblia diz que Jesus Cristo falou que o principal mandamento de Deus é “Amar ao próximo como a si mesmo”. Esta prática exige a renúncia do Ego e do Eu.

Pois bem, a introdução do Ego é a parte individual de cada pessoa e apenas ele ou ela podem querer buscar a luz e a felicidade para o seu caminho (consequência). Mas a “causa” nas organizações que efetiva o centralismo e não a cooperação, o Eu e não o Nós, Status, Domínio, Comando e controle e aflições negativas é o modo como as relações sociais estão estruturadas no modelo de gestão, ou melhor, o modelo do organograma.

Vide gráfico abaixo de Paul Baran (Observe – Pontos = Pessoas/Linha = Interatividade com os outros). Nos três modelos os pontos estão no mesmo lugar, o que muda são as linhas de conexão:

RESUMINDO: A hierarquia (Comando e Controle) além de despertar o ego individual, pois desenha “líderes ou pessoas que comandam e controlam os outros através do poder do cargo” limita as pessoas de interagirem uma com as outras, por exemplo, (Operacional não fala com o Presidente, apenas Diretor ou Gerente – Hierarquia). Esta falta de interação entre os membros pode significar limitações de conhecimento, experiências, aprendizagens mútuas e produção de inovações.
Tem uma “brincadeira” que fala: – Meu chefe é demais! Toda vez que entro em reunião com ele para dar minhas ideias, saio da reunião com as ideias dele!
É na convivência da DIVERSIDADE e na INTERATIVIDADE das RELAÇÕES que aprendemos a entender e a aceitar o outro, e neste compartilhamento e convívio que geramos novas ideias, novas aprendizagens, soluções e conhecimentos. (REDE)
A centralização e a descentralização têm um único caminho, a rede possui múltiplos caminhos. (Analise o gráfico).
Quanto maior for uma sociedade hierárquica maior o mundo ficará pela distância, e quanto menor for a hierarquia menor o mundo irá ficando para as pessoas (interação). Você tira a distância delas. Mídias sociais como facebook, linkedin e twitter por exemplo ilustram isso. Aqui não tem intermediário para te conectar ao outro em qualquer lugar do mundo.

Outro ponto, quando você precisa pedir permissão para realizar algo ou é conduzido por um líder, você diminui sua porção ser humano e aumenta sua porção de bovino resignado.
A hierarquia tira das pessoas o objetivo de depositarem sua alma no negócio. Esta alma pode ser traduzida como a máxima da criatividade, paixão, vontade, desejo, aprendizagem… Nenhum ser humano gosta de imposição. A hierarquia é uma imposição de regras, limites, visão, ou seja, um condicionamento mental a partir de uma visão de um líder!
O empreendedor concebe sua empresa a partir de uma ideia de produto ou categoria de produtos. No momento em que ela nasce e atinge o nível da juventude no ciclo de vida da empresa, o empreendedor já não pode mais orientar a empresa para o produto, mas deve a orientar para as pessoas. As pessoas motivadas e criativas que irão inovar e reinventar a empresa e os produtos através do processo de cooperação e aprendizagem mútua. Este é o case e descoberta da Nutrimental.

Você pode se perguntar, mas em uma rede não é possível aplicar a Meritocracia ou quando precisamos de “conselhos estratégicos” montaremos automaticamente um cluster (grupo) de pessoas confiáveis (hierarquia), certo?
Errado! No modo centralizado e descentralizado opera a meritocracia injusta na maioria das vezes. Você tem pessoas com desfrute de networking e informações privilegiadas; indivíduos com experiências maiores que os outros criando uma concorrência desleal; equipes oprimidas concedem “méritos” aos líderes e etc..
Na Rede é normal formar clusters (grupos) de pessoas. Estes clusters por estarem em uma conectividade e produção mais forte acabam influenciando os demais da rede espalhando a aprendizagem. Veja bem, influência não tem nada haver com poder. Por a rede ser livre e acessível, os clusters de aprendizagem são a prova viva da meritocracia.
Por exemplo: Pode se formar um cluster (autônomo e livre) com o operacional de finanças+Diretor de Marketing+Gerência de produção e produzir uma nova aprendizagem para a organização. Esta aprendizagem é replicada e pode ser aprimorada na rede ou por outros clusters. Esta possibilidade e iniciativa de interação só são possíveis com a rede. A hierarquia impossibilita esta conectividade. A partir destes cenários de oportunidades justas, podemos avaliar a Meritocracia individual e de grupo.

ORGANIZAÇÕES ECOsistêmicas
Organizações EGOsistêmicas não possuem presença. Em um encontro com Sri Sri Ravi Shankar neste ano de 2012 em SP ele disse: – Podemos encontrar tudo no Google, menos a presença.
Presença é um estado cósmico de estar presente e sentir. Aprendemos no ginásio e colegial na matéria de biologia sobre a cadeia alimentar dos animais. Todo resíduo produzido por um ser vivo tem um destino de consumo. Por que as empresas não projetam o destino dos seus resíduos (lixo)? Isso aprofundarei em outro artigo.

Como nos organizamos na sociedade até chegarmos aqui?
Nascemos humanos ou nos tornamos humanos?
Amala e Kamala (é uma história verídica) e vai reflexionar bem esta pergunta.
Elas foram criadas por uma matilha de lobos e encontradas pelo reverendo Singh com idades entre 2 e 8 anos de idade na selva da Índia e levadas ao seu orfanato. No entanto elas andavam de 4 como os lobos, uivavam (comunicação), não sorriam, sua visão era melhor noturna e comiam apenas carne crua e podre (hábitos/costumes).
Amala, a mais jovem, morreu com um ano e meio de idade devida a adaptação dolorosa do abrigo (como ela não tinha a alimentação que ela estava acostumada de carne crua e podre) Kamala viveu durante oito anos na instituição que a acolheu, humanizando-se lentamente. Ela necessitou de seis anos para aprender a andar e pouco antes de morrer só tinha um vocabulário de 50 palavras. Atitudes afetivas foram aparecendo aos poucos.
Ela chorou pela primeira vez por ocasião da morte de Amala e se apegou lentamente às pessoas que cuidaram dela e às outras crianças com as quais viveu.
Percebeu?
Somos filhos das relações sociais. Filhos da convivência. Filhos do meio.
Nos tornamos o que somos pela convivência.
Que convivência você deseja para sua organização?
- convivência de paz?
- convivência hierárquica?
- convivência cooperativa?
E nós quando começamos a ser humanos?
Vamos escolher aqui para reflexionar a visão da ciência (darwinismo). São registros e dados reais. Isso não significa que a visão religiosa não seja a verdadeira.

Quando nos tornamos o Homo Sapiens passamos por uma evolução começando como proconsul. (Vide figura abaixo).

Primeiro o homem era um macaco, correto?
Andava de 4, sua visão por andar de 4 lhe permitia enxergar uma esfera de meio mundo para o chão.
O primeiro passo para nos tornarmos humanos foi parar de andar de 4 (quadrúpede) e liberar as mãos (biu..)
Com as mãos liberadas começamos a tocar as coisas e o principal nos outros, a sentir o outro (carinho).
O carinho trouxe uma relação mais íntima pois biologicamente ao tocar no outro liberamos sensações químicas e o sexo veio aproximar mais os homens. Intimidade fortalece o grupo.
Assim começamos a descascar sementes para nos alimentar. Você sabia que o homem é o único animal que divide sua comida? A comida tem um poder fenomenal. Reúne pessoas, estimula o diálogo, a convivência, a dividir e repartir.
O poeta diz que nos tornamos humanos quando o homem em posição ereta conseguiu olhar para o céu e ver as estrelas.
A natureza quis que aprendêssemos a cooperação, cuidar um do outro, viver em grupo. Para chegarmos até hoje aqui foi o carinho e a cooperação que nos tornou humanos.
Hoje o ser humano impede de ser cuidado.
Então nossas bases de origem são:
1) Contato físico e intimidade
2) Alimento
3) Espaço físico
4) Cuidado
Foi comprovado já que de 10.000 anos prá cá o ser humano por motivos que não vou abordar aqui desenvolveu a individualidade, arrogância, violência, opressão para sobreviver.

Enfim, a estrutura das relações entre as pessoas é que determina uma organização de aprendizagem mútua ou de ordem e obediência; decisões laterais ou verticais; rede de negócios ou transações empresariais e etc…

Compartilhe