Evite a morte em suaves prestações.

Hoje pela madrugada passou um filme na minha cabeça.
Há muito tempo atrás descobri que sou movido a inspiração, mudanças e desafios. Talvez por isso não consiga ficar tanto tempo em uma mesma situação. Sinto-me incomodado e preso.
Também descobri que preciso de uma causa que me cause um conflito dentro de mim e me tire o sono.
Preciso sonhar e se não for pra me fazer sonhar, por favor não coloque os meus pés no chão.
Lembrei-me de Rubem Alves sobre Canários e Sabiás quando decidi abandonar o mundo corporativo para alçar vôos solos.
“Canários são lindos, agradáveis e cantam maravilhosamente bem. Mas apenas em gaiolas. Já os sabiás, não são tão belos e não cantam tão maravilhosamente bem. Mas voam livremente de árvore em árvore.”

De fato, antes que a gaiola chegue a mim, preciso voar. Por isso detesto rotina, mesmices, burocracias…
No ano de 2004 quando eu estava totalmente desmotivado no curso universitário e perdido sobre meu futuro, vejo um cara no Palco chamado Luciano Pires (Executivo de uma Multinacional) iniciando sua Palestra – O Meu Everest. Realizando um sonho no teto do mundo abrindo com a música dos Mutantes “A Balada do Louco”.

“Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu…”

Com o corpo todo arrepiado, compreendi o que é ser louco e o por quê a imaginação vale mais que o conhecimento. Já com a cara esbofeteada e renascendo como uma fênix, o término da Palestra foi com o texto “Morre Lentamente” de Martha Medeiros, e a partir daquele dia, eu jurei que jamais eu ia ou alguém me matar lentamente.

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajectos, quem não muda de marca
Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente
quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco
e os pontos sobre os “is” em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida,
fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente
quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente,
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte
ou da chuva incessante.
Morre lentamente,
quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior
que o simples fato de respirar.

#Taqueu, quando quase fui expulso da Universidade sendo na época Presidente do Diretório Acadêmico por querer que a universidade desse asas aos alunos e não um carma, quando abandonei o corporativo para tentar decolar um desejo e um sonho, quando o jiu jitsu entrou no meu coração e fixou no meu espírito, ainda pequeno aquele concurso de poesia, os trabalhos voluntários etc… tudo isso aconteceu para que eu não morresse lentamente.

Glórias, pódium e aplausos não me dão sentidos, mas o simples fato de eu não morrer lentamente em suaves prestações que faz os sentidos.

A única certeza que temos é que um dia vamos morrer. Se é a única e não existe estabilidade para as demais coisas. Faça o que ama; Lute pelo que acredite; Não tenha medo de arriscar, mudar, falar; não perca tempo vivendo a vida do outro ou vivendo dogmas; Tenha coragem de seguir o seu coração e sua intuição. Eles de alguma forma já sabem o que você realmente quer se tornar.

Se o caminho não se acha, se constrói. Que possamos todos construir com vida evitando a morte em suaves prestações!

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