O que impede o Brasil de ter um Vale do Silício?

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Estou participando do Programa Novos Paradigmas encomendado pelo MCT – Ministério da Ciência e Tecnologia do Governo Federal, onde o Profº e Pesquisador Marcos Schelemm passou 18 meses no Vale do Silício procurando entender por que aquele lugar produz tantas startups de sucesso.
No Brasil fizémos encontros em Curitiba, Belo Horizonte, São Paulo e em Fevereiro/2015 se encerrará no próprio Vale do Silício com acadêmicos, empresários, agentes do governo e executivos em modo world café buscando contribuições sobre o por que não inovamos e não estamos no mesmo patamar que o Silicon Valley.

A grande resposta desta jornada é: O que difere o Vale do Silício do resto do Mundo é o Estado Mental das Pessoas. “Lá é a balada certa” Marcos Schelemm.
O comportamento das pessoas é que reflete em uma germinação de acontecimentos.

Como é o comportamento das pessoas que estão vivendo e instaladas lá?

1) Conversação e Interação: Todo ambiente é regido da forma que todos sem distinção possam conversar e interagir. É através da conversação e compartilhamento de ideias que irão surgir oportunidades. As casas, espaços de trabalhos, praças, estão de modo proposital para que as pessoas possam se acessar e conversar. Escutei uma vez um exemplo que uma empresa de propósito construiu os banheiros em um canto, onde para cada um acessá-lo deveria passar por todos os departamentos. Era um dos jeitos de rolar conversação e interação entre todos.

2) Acesso ao Networking: É comum você ver Larry Page fundador do Google em um Bar observando um Elevator Pitch por exemplo. Você fala com quem você quiser no Vale. Todos te recebem e todos querem acessar uns aos outros.
Não existe donos de networking ou pagação em cima dos bem sucedidos. Essa glamuração estraga o sucesso coletivo.

3) Colaboração: A colaboração é muito forte. É muito comum por exemplo advogados renomados, contadores, executivos etc, ajudarem uma startup por 1% de sociedade ou pelo próprio favor mesmo. Lá na frente se der certo a gratidão pagará. Eles trabalham em escritórios de co-working, empresa ajuda empresa, pessoas ajudam umas as outras.

4) Reinvestimento: Os empreendedores que dão certo reinvestem na Universidade que estudaram e demais espaços e pessoas que fizeram parte do seu projeto. Muito comum doações para que outros possam ter o mesmo sucesso que eles tiveram.

5) Informalidade: A informalidade vai desde as roupas ao ambiente das empresas. Vide os escritórios do Google. As pessoas precisam se sentir bem.

6) Redes e Não Hierarquia: Não existe comando e controle. Você não precisa pedir permissão para fazer algo. A hierarquia destrói o potencial das pessoas. A hierarquia tem um caminho e um dono. A Rede tem múltiplos caminhos e sem donos.

7) Confiança: Para elas a nova moeda é a confiança e o principal ativo a Reputação.

8) Acesso ao Capital: Tem uma Rua onde se você quiser falar com um investidor é só aparecer em um Starbucks ou Bar. Eles estão todos ali prontos a te escutarem por 5 minutos.

Você consegue enxergar este comportamento no Brasil? Na sua empresa? Nas associações? Nas instituições? Nas pessoas.
São as pessoas que florescem e não as instituições. As pessoas que falam por elas. Que se conversam.
O primeiro passo para quebrar o paradigma do Brasil é mudar nossa cultura e nosso estado mental.
Claro não vamos mudar o Brasil.
Precisamos de um ecossistema regional, regiões ou bairros onde as pessoas que habitam ali tenham este comportamento. A partir, do sucesso desta experiência é que vai contaminar um pouco do todo e fazer a diferença positiva.

Temos muitas ações e instituições tentando alavancar o empreendedorismo. Não vai pra frente por causa da nossa cultura. Ela hoje é toda contrária aos 6 pontos acima.
Precisamos primeiro mudar a cultura para surgir o efeito esperado.

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