Alma, Solo e Sociedade. Uma nova tríade para novos tempos

Satish Kumar

Ontem, tive o privilégio de poder ouvir o Profº, Editor, Fundador da Schumacher College e Ativista pela Paz Satish Kumar.
A vida dele é uma grande história. Foi aluno de Vinoba Bhave (discípulo e considerado sucessor de Mahatma Gandhi), chamado também por muitos de Arachya (sânscrito de Professor).
Inspirado por Bertrand Russel Filósofo britânico que foi um grande pacifista da paz na primeira guerra mundial e defensor do desarmamento nuclear, aos 20 anos juntamente com um amigo decidiram fazer uma caminhada pela paz, como ficou conhecida, a pé pois o gesto mobilizaria mais as pessoas até as 4 principais capitais nucleares: Moscou, Paris, Londres e Washington DC e entregar uma carta aos presidentes destes países pelo fim do armamento nuclear.
Ao pedirem a benção para Vinoba Bhave, eles receberam 2 recomendações: Irem sem dinheiro. O dinheiro é a causa da guerra.
Façam a peregrinação e passem nas casas pedindo ajuda.
“A guerra é gerada pela desconfiança. A paz é a certeza do caminho. Para ser legítima a certeza da paz, precisávamos mostrar a certeza que o dinheiro não é a única condição da sobrevivência.”
Vai ser o exercício da compaixão. Segundo, mantenham-se vegetarianos.
No caminho a Moscou, encontraram duas mulheres do lado de fora de uma fábrica de chá. Depois de explicar o que estavam fazendo uma das mulheres (gerente) deu-lhes quatro caixas de chá, a ser entregue a cada um dos líderes das quatro potências nucleares com uma mensagem, “quando você pensa que você precisa pressionar o botão, pare por um minuto e tome uma xícara de chá”. Isso inspirou ainda mais a sua viagem e tornou-se, em parte, a razão para isso. Eles finalmente entregaram o “chá da paz” para os líderes de quatro das potências nucleares exceto a França, onde o presidente na época não os receberam. A viagem é narrada no livro de Kumar chamado, Sem Destino.

Alma, Solo e Sociedade. Uma nova tríade para novos tempos.

A alma vem em primeiro lugar. É o espaço onde encontramos nosso propósito e conexão com a vida e o meio ambiente. É na alma que nos descobrimos e descobrimos os “irrealismos” do mundo.
É na alma que mora a consciência. A alma é o SER e não TER. É aqui que o amor, humildade e bondade reina.

Em segundo o solo. A maior riqueza do mundo não está nas tecnologias. Elas servem apenas de suporte. A riqueza está no solo. É do solo que nasce a natureza e o nosso alimento, principal fonte de energia.
Humus significa composição orgânica que define o solo. Deriva também Humanidade e Humildade.
O húmus ou o solo precisa estar sempre úmido para que penetre a água e os nutrientes até as profundidades. Assim somos nós humanos. Precisamos ter humildade para nos aprofundar. Humildade, que Jesus Cristo pregava “Ame ao próximo como a si mesmo”.
Os indianos cumprimentam o Sol porque sem o calor do sol, o solo não se desenvolve, assim como, sem as chuvas.
Nós humanos também precisamos do sol para nos aquecer e ativar nossas vitaminas.

Sociedade vem em terceiro. Nossa casa é a natureza. Precisamos cuidar e preservar esta casa. Deus criou o homem e o colocou em um jardim chamado Éden. Quem criou as cidades dentro deste jardim e definiu regras, comércio e a guerra, foi o próprio homem.

Chegamos no limite da destruição da nossa casa e para as próximas gerações. Se não tivermos coragem para mudar e fazer diferente, não gostamos de nós mesmos. Tudo isso irá acabar. Já está acabando.

Para mudar teremos que quebrar a lógica do PIB que mede a potência e o crescimento dos países pelo acumulo monetário.
O acumulo monetário exclui o bem estar das pessoas. Não considera a felicidade das pessoas. Pouco considera o solo e o planeta. A lógica da produção e demanda em um molde tradicional e cartesiano, deixa de fora as formas básicas de convivência, comunidade, compartilhamento.
O maior exemplo é o Butão que adotou a Felicidade Interna Bruta. É a felicidade e o bem-estar que os governos devem buscar para as pessoas. A riqueza financeira não garante o bem-estar e a felicidade, que dependem estas de, cuidados, não violência, relações humanas, saúde, interações etc… São outros ingredientes.

Satish vê o empoderamento das mulheres como a força dessa mudança. A mãe gera um filho, cuida e faz de tudo por ele(a). O sentimento de proteção e cuidados é maior que os dos homens. Essa sensibilidade que a natureza e a humanidade precisa.
A relação de Satish com sua mãe foi de muita aprendizagem e carinho. Foi a primeira peregrinadora a inspirar ele.
Possuidora de uma pequena propriedade rural, caminhava a pé por muitos Km para realizar as coisas.
Um dia em uma caminhada sua mãe aponta uma árvore e diz: – Esta árvore é a maior sabedoria da Terra.
Como assim mãe? Não pode ser! O Buda é o maior ser possuidor de sabedoria.
Aonde o Buda passou os dias meditando para buscar a luz?
Debaixo de uma árvore. Então está respondido.

A natureza é tão perfeita que a abelha coloca a medida certa de pólen para produzir as frutas e o mel. O mel é na medida, nem tão doce e nem tão sem sabor! Sem abelha, sem alimento. A vida é uma rede de conexões com a natureza, onde um depende do outro.

Este foi o resumo deste encontro marcante, comemorando os 12 meses da filial da Schumacher College no Brasil.
A paz é o caminho. Com lógicas existentes e “realismos” não iremos mudar o rumo.
É preciso ter coragem para assumir e fazer diferente.
O Planeta é nossa casa. O amor é a nossa causa. A paz é o caminho!

09 de Dezembro de 2015.
SHANTIDEVA

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